terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Delidelux


A mesma bomba de gasolina e a mesma máquina de café. As placas com nomes de terras que agora já são novamente apenas nomes de terras, e não memórias do que fomos. O brunch que não chegou a ser partilhado com ele, é-o agora contigo. Faço questão de te levar a todos os sítios que vivi com ele, não para o apagar de mim, nem tão pouco para te sobrepôr a ele. Simplesmente, para descaracterizar os sítios dele, de ti, de mim (assim seja). Para permanecerem apenas sítios, onde com ele, contigo ou sem ninguém, me possam continuar a fazer feliz.

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

E depois


A vida foi-se vivendo, como sangria que se vai bebendo e quando nos levantamos da cadeira nada nos resta senão voltarmo-nos a sentar.

E depois viveu-se por hábito, por rotina, porque a vida é assim, é o fado, é a sina, tem que se viver. Assim.

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A menina e o mar


Imagine-se uma miúda com medo do mar. Fascina-a mas não deixa de o temer. Durante anos contempla-o até que, com o passar do tempo, vai molhando os pés. Avança rumo à linha do horizonte, passo a nado. Aprende a nadar com muito cuidado e quando, finalmente, trata o mar por tu, vem um tsunami que quase a mata. Consegues imaginar? Assim sou eu e o amor.

terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sinais a não desprezar

Percebes que podes estar diante de uma nova relação quando começas a ter uma música vossa.

quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Post póst(umo)

domingo, 23 de Novembro de 2008

Conta, Nicola: conta!

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

November rain

O edifício era redondo como uma bola que rodava com ela dentro, num movimento circular e curvilíneo.
Lá fora chovia nocturnamente e ela saiu com o velho pretexto de comprar cigarros. Poderia não mais voltar, desparecer como tantas vezes lhe sugeria a memória.
Desceu e lá baixo ele esperava-a, sem saber bem o que esperava nem tão pouco que a esperava. Começou a chover e ela cravou-lhe um cigarro. O último, é engraçado como é sempre o último. Ele seguiu-a para perceber se a chuva apagava a ponta cigarrenta mas nunca desviou os olhos na direcção do cigarro. Travaram passas e travaram os passos um do outro, enrolados numa dança da chuva.
Entregaram-se aos beijos numa rampa que dava acesso ao parque de estacionamento, de frente para uma câmara de vigilância. Seios desnudados, mãos abertas à chuva. Corpos molhados por dentro.
Percorreram uma rua com nome de flor holandesa, cabelos encharcados, roupas coladas. Abrigaram-se num compartimento destinado ao lixo de um prédio, mas os únicos cheiros que sentiam era o dos corpos ofegantes e transpirados, mesmo fazendo frio lá fora.
Era uma segunda-feira redonda. Ela voltou para o escritório sem cigarros. Chovia em Novembro.